Por O Trovador
- Chamem a droga de mais guerreiros! – Gritou Hirgle enquanto partia a cabeça de uma besta com a acha e rodava o corpo inutilizando mais duas no seu curto raio de alcance.
- Chamem a droga de mais guerreiros! – Gritou Hirgle enquanto partia a cabeça de uma besta com a acha e rodava o corpo inutilizando mais duas no seu curto raio de alcance.
- Senhor não vai conseguir segurar esses ai tempo suficiente para eles chegarem! – Gritou em resposta Ilfgrou. – Teremos de derrubar essa galeria também!
- Maldição. Só aqui se extrai minério de Arfazio! Droga! – murmurou para si antes de alterar o tom para declarar com irritação aos companheiros. – Vamos anões! Derrubem tudo em cima desses monstros!
Hirgle ouviu murmúrios de irritação saírem das bocas de seus companheiros. Ele mesmo não queria que a única mina de Arfazio em toda Cidade do Fogo fosse extinta. Mas não havia outro jeito.
Foi o ultimo a sair, garantindo que as bombas não fossem os únicos que se encarregassem de matar as bestas. Sentia o maior desprezo contra essas criaturas e não permitiria que invadissem sua cidade. Seu lar e lugar de trabalho, a Cidade do Fogo era mais do que a cidade natal, era lá que se sentiam refugiados do preconceito para com suas origens e contra sua inteligência. Mesmo que não aparentassem não gostavam dos olhares que lançavam em suas direções.
Quando alcançou a porta a trancou com força e raiva, fazendo sinal de positivo para o companheiro.
- Detonem!
Ouviram o estrondo das paredes desabando e o som de muitos corpos sendo soterrados por quilos e mais quilos de pedras. Praguejando baixinho, Hirgle foi verificar o estado do resto do pequeno contingente que havia ido com ele até a galeria.
- Pelos infernos o que é isso? – Perguntou a Ilfgrou.
- Senhor, não temos certeza. Ataques do Armagedon sempre ocorreram, mas não pelas galerias, principalmente uma tão profundo como essa. Não entendo o que pode estar ocorrendo.
Hirgle parou por um instante. Com o olhar perdido analisava a plataforma sobre a qual se encontrava sem realmente vê-la. Estavam em um dos pontos mais profundos da cidade. Logo abaixo havia uma área em escavação. Uma gigantesca extensão de pedra se encontrava com as marcas da ação dos anões. Sobre sua superfície se encontravam instrumentos de escavação soltos por todos os lados. Quando o alarme soou, foi ordenado que todo anão deixasse aquela região até que um grupo de especialistas fosse até lá analisar o problema. E lá estavam. Sem qualquer resposta apenas uma galeria derrubada e um grupo de bestas tentando ultrapassar o local.
A Cidade do Porto poderia não parecer mais era uma das mais organizadas do Grande Continente. Com os setores em perfeita distribuição, havia áreas onde funcionavam a extração de minério, áreas onde se administravam as compras, áreas para carga, áreas residenciais... Tudo conectado por uma perfeita combinação de túneis e passagens escavadas por gerações e mais gerações de anões. Não precisavam de mapas. Era natural se guiar em meio a terra.
- Senhor, invasão no corredor 65419. Mais bestas senhor, precisaremos de mais soldados! – Berrou uma voz pelo cano-arauto*.
Aquilo o acordou de seu estado de rápida reflexão. Balançou a cabeça para desanuviá-la e começou a dar ordens aos companheiros.
Virando-se irritado, Hirgle segurou na acha que carregava nas costas, forjada de minério de Dinitrio, tendo o fio como Aço fermentado em Ilundrio liquido. Proporcionava uma bela arma, com a resistência do Dinitrio, misturado ao fio do Aço. O Ilundrio garantia efeito anti-ferrugem, sem falar que também evita a necessidade de se afiar com tanta freqüência como às armas que eram enviadas a humanos. Sentia segurança e um sentimento de poder com o contato.
- Vamos anões! Temos umas cabeças para cortar!
- Senhor invasões nas galerias 39871 e 39872 e nas forjas 12, 15, 16 e 20. Ainda recebemos noticias de atividades sísmicas nas regiões 4, 9 e 13. Nunca uma força tão grandiosa se aproximou... Senhor o que esta havendo? – ressoou a voz, um pânico mal contido tomando conta de seu ser.
Hirgle imobilisou-se. A sua volta outros anões também o olhavam assustados. Aquele momento de incerteza custou suas vidas.
Um tremor violento tomou conta do andar. Pedras despencaram do teto sem aviso enquanto buracos se abriam das paredes como se insetos gigantescos estivessem vindo em ondas para preencher o lugar. Bestas e Feras saiam como água das paredes e caindo do teto. Restou pouco tempo para apanharem as armas. Antes que a primeira tivesse saído da bainha, flechas acabaram com a pequena distancia existente entre eles e os filhos do Armagedon.
- Senhor? Senh... AAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! SENOR INVADIRAM A CABINE DE COMUNICAÇÕES! SENHOR!!!!!!!!!!!!!! AAAAHHHHHHH...
Mais cedo teria sido impossível para Hirgle ter a mínima noção do que poderia estar acontecendo. Estava tendo uma manha calma, sentado em sua cadeira enquanto lia uma carta de Ilfgrou. Enquanto lia a carta puxava grandes tragos de seu cachimbo, uma herança de família. Na carta seu amigo dizia tudo sobre os filhos Terin e Teren e sobre o bebe que esperava. Sua esposa Mirtriade achava que era uma menina, mas ele esperava receber outro menino.
Enquanto lia distraído a carta, ouviu um ruído metálico as suas costas. Virou-se meio surpreso para o cano-fone instalado em seu quarto. Tinha permissão para ter um em casa por ser chefe da policia da cidade. Tinha como obrigação proteger a cidade, mas também o dever de avaliar o trabalho de seus compatriotas anões. Hoje tinha tirado o dia de folga para manter a casa arrumada e a correspondência em dia. Não esperava receber uma chamada.
- Alo? – chamou rudemente. Realmente queria ter tirado o dia de folga.
- Senhor, precisamos de você na galeria 100078 urgentemente! Foram relatados movimento sísmicos suspeitos na área e temos medo que seja mais uma manobra do Armagedon para roubar nossos minérios... O senhor sabe como é.
- Claro Dreito, mas não acha meio improvável que o Armagedon esteja atacando uma das minas mais profundas da cidade?
- Eu sei senhor, mas você sabe como o rei estava ansioso pela descoberta do Arfazio. Ele preverá grandes negócios, eu não o quero em cima de mim quando chegar de viagem.
- Ah... Claro Dreito pode deixar. Só relaxe anão. Pela sua voz já sei que está tenso igual a um elfo quando ouve o menor ruído.
- Hirgle sei que está irritado por sair da sua folga, mas não precisa descontar em mim. Só estou fazendo meu trabalho!
- Ta cara mais tarde a gente conversa. Chame o meu esquadrão, não sei o que é isso então quero alguém de confiança comigo – olhou o pedaço de pergaminho sobre a cadeira e continuou. – Chame Ilfgrou também. Vou querer ele ao meu lado.
Depois fechou o tampo do cano-fone, virou-se para o quarto onde procurou por seus equipamentos. Pegou consigo sua acha e uma pequena espadinha de batalha. Resolveu ir de meia-armadura. Não sabia o que encontraria por lá então seria bom estar preparado para qualquer ocasião em que fosse necessária uma fuga rápida.
Saiu do quarto e se dirigiu para a área de circulação. Encontrou muitos anões durante o trajeto, alguns trazendo espadas e martelos, pedaços de matéria bruta e aço recém temperado. O calor que subia das fornalhas aquecia o ambiente. Era o lar ideal para qualquer anão.
Chegou aos andaimes com um pouco de antecedência do que seus companheiros. Parou por um segundo para refletir sobre a situação. Atividades sísmicas eram comuns, mas não o suficiente para terem que tirar o chefe da guarda de sua folga. Achava que seriam mais uns suportes mal colocados ou algo de má manutenção. Não fazia a mínima idéia do que realmente estava acontecendo.
Sua equipe chegou pouco tempo depois. Chegando em trios e pares até que tivessem cerca de quinze anões em cima do mesmo andaime. Este já tremia sobre tamanho peso.
- Muito bem companheiros vamos descer para confirmar atividades sísmicas diferentes do normal. Galeria 100078! – Depois, virando-se para um anão que passava ordenou – dessa-nos.
Pouco a pouco o calor e o barulho de conversas sumiam enquanto desciam mais e mais em direção a ultima galeria descoberta. Galeria 100078. Com certeza o que encontraram não era nada com o que esperavam.
Bestas e Feras saiam de grandes buracos das paredes. Carregavam consigo caixas gigantescas onde armazenavam as pedras do minério bruto que encontravam. Por um segundo Hirgle ficou mudo de surpresa. Mas realmente só por um segundo. Depois virou-se e gritou:
- ATACAR!
No fundo sabia que o grito tinha sido meramente dramático. Não precisava de tudo isso. Era simplesmente mais um dia de trabalho.
*É uma rede de canos que ecoava um pedido ou aviso urgente para qualquer parte da cidade. Era vital, pois se houvessem acidentes ou desabamentos anão nenhum ficaria muito tempo perdido.
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